14 Maio 2026
O Café com Associado de maio foi realizado no dia 12 e trouxe como palestrante convidado o economista-chefe da Fiergs, Giovani Baggio. O tema abordado foi Cenário Econômico 2026: tensões globais e perspectivas regionais.
A presidente Elisabete Griebeler recepcionou o público presente e, na sequência, conduziu a abertura do bate-papo. Na ocasião, representando a patrocinadora do evento Marsul, Thalya Gonzaga, também teve a palavra.
Momentos históricos dos últimos anos, como a maior recessão já enfrentada, greve dos caminhoneiros, pandemia, guerra e catástrofe climática no Estado, influenciaram em um cenário de bastante dificuldade econômica. Foi com esse parecer que Giovani iniciou sua palestra. Para o especialista, é preciso compreender os fatores nacionais, internacionais e regionais para se adaptar a uma nova realidade mundial onde o lapso de tempo entre os grandes acontecimentos está ficando cada vez menor.
Segundo Giovani, os países que integram essa região são grandes produtores de petróleo, de gás e insumos para fertilizantes, e se organizaram para exportar internacionalmente através do golfo pérsico. “Com o conflito e o fechamento dessa região onde passa aproximadamente 20% de toda a produção de petróleo do mundo, ocorreu um grande prejuízo. Esse ‘choque do petróleo’ tem sido diferente dos outros por causar danos na estrutura de fornecimento e extração. Há ataques em refinarias, gasodutos, reservatórios, então não é de uma hora para outra que, quando encerrar a guerra, a logística será restabelecida ao ponto de antes. Devemos nos acostumar com a alta nos preços do combustível, do petróleo, por bastante tempo”, explicou.
Baggio também falou sobre alguns indicadores que ajudam a sintetizar os movimentos da economia, como a atividade econômica, representada pelo PIB e pelo ritmo dos negócios, e a inflação, que influencia diretamente as condições financeiras.
Em relação à inflação, especificamente, o economista relata que o Brasil historicamente convive com índices mais elevados, enquanto muitos países desenvolvidos passaram décadas sem enfrentar esse cenário. “Nos Estados Unidos, o banco central considerou durante meses que a inflação do pós-pandemia seria temporária, mas ela acabou se mostrando persistente, exigindo medidas monetárias mais intensas”, relatou.
Outro conceito que ganhou força nos últimos anos e que foi trazido para a pauta do dia foi o de “incerteza”: incerteza política e incerteza comercial. “Após a posse do governo Trump em sua segunda gestão, observou-se uma forte escalada nesses indicadores, superando inclusive os níveis registrados durante a pandemia, o conflito no leste europeu e o primeiro mandato do presidente”, afirmou Giovani.
Reflexos dos conflitos no Oriente Médio no Brasil e adaptação à Reforma Tributária
O Brasil, apesar de ser uma potência do agronegócio, segue dependente do mercado externo em áreas estratégicas. Atualmente, cerca de 80% dos fertilizantes utilizados no setor agropecuário são importados, muitos deles provenientes de regiões afetadas pelos conflitos no Oriente Médio. “Com isso, a gente tende a sofrer nas próximas safras, senão com a falta, com um preço maior de fertilizantes. Então a tendência é de que as consequências econômicas se prolonguem por bastante tempo ainda”, destacou.
Outro ponto de atenção, de acordo com ele, é a implementação da Reforma Tributária. Durante o período de transição, o país precisará conviver simultaneamente com o modelo antigo e o novo sistema de tributação, o que representa um desafio operacional. A fase de adaptação está prevista para ocorrer até 2033, quando o novo modelo deverá substituir integralmente o sistema atual.
“Apesar das dificuldades iniciais, a expectativa é de que, confiem no que eu estou dizendo, após esse período de transição, o sistema tributário se torne mais simples, funcional e eficiente”, concluiu.
No panorama do Rio Grande do Sul, a preocupação principal segue sendo a climática.
Ao final, foi aberto espaço para perguntas, com boa interação e participação do público presente.
Agradecimentos especiais
O evento contou com o patrocínio pontual da Marsul, além dos patrocinadores do Projeto Oportunidades para Crescer (POC), que integra as empresas Sicredi, Vibra, Seara, Marsul, Unimed Vale do Caí, Colégio Sinodal Progresso, CGC Contabilidade, Quiero Café, AGEE - Soluções Financeiras, Óticas Diniz e Sinoscar.
O palestrante convidado também foi presenteado com uma cesta especial com produtos da Novo Citrus, Sicredi Ouro Branco RS/MG, Casa dos Cereais e Marsul.
Quando há união de esforços, a entrega ao público se torna mais completa, aprofundando o conhecimento compartilhado e fortalecendo o ambiente empresarial. A todos os envolvidos, o nosso muito obrigado.
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